ROBERTO LANDELL DE MOURA O INVENTOR DO RÁDIO
NESTE DIA DO RÁDIO, NOSSA MAIOR HOMENAGEM A ESTE VEICULO É CONHECER SEU INVENTOR.
Conteúdo extraído do artigo Cientifico em homenagem ao inventor do Rádio
OS PIONEIROS DA CIÊNCIA BRASILEIRA: BARTHOLOMEU DE GUSMÃO, JOSÉ BONIFÁCIO, LANDELL DE MOURA E D.PEDRO II
Diamantino Fernandes Trindade
Laís dos Santos Pinto Trindade
Muito tempo antes que alguns padres se tornassem fenômenos de comunicação, Roberto
Landell de Moura já era um grande comunicador. Nasceu em 27 de janeiro de1861 em Porto
Alegre. Saiu do Rio Grande do Sul, aos 18 anos, para estudar Física no Rio de Janeiro. De lá foi
para o Seminário em Roma, onde foi ordenado padre em 1886. Estudou também Física e
Química na Universidade Gregoriana, desenvolvendo as primeiras idéias de sua teoria sobre
“Unidade das forças e a harmonia do Universo”, que seria referência para suas futuras invenções.
Ainda em 1886 retornou ao Rio de Janeiro para exercer a função de pároco da igreja do
Outeiro da Glória e desenvolver trabalhos pastorais em várias cidades brasileiras. Conheceu o
Imperador D. Pedro II e chegou a dar-lhe palestras sobre ciências. Transferiu-se para São Paulo
em 1892.
No final do século XIX as telecomunicações, por meio de ondas eletromagnéticas,
começavam a modificar as dimensões do mundo. Em setembro de 1895, Guglielmo Marconi
efetuou sua primeira transmissão de rádio. Um pouco antes, em 1893, o Padre Landell de Moura
concluiu o projeto do transmissor de ondas, fazendo a primeira transmissão pública de rádio do
mundo. Sua voz emitida num aparelho na Avenida Paulista, em São Paulo, atravessou oito
quilômetros e foi ouvida, com clareza, num receptor no alto de Santana. Marconi só faria o seu
aparelho dois anos mais tarde.
As dificuldades eram muitas e para aumenta-las repercutia na cidade que o padre falava
com outras pessoas através de uma máquina infernal, tendo parte com o diabo. Alguns “fiéis”
desvairados invadiram seu modesto, mas precioso laboratório e destruíram todos os seus
aparelhos e ferramentas. Após esse evento, juntou suas parcas economias e foi para os Estados
Unidos onde foi bem recebido pela comunidade científica e conseguiu, após reconstruir seus
aparelhos com muita dificuldade (principalmente financeira), patentear três inventos. O jornal
New York Herald, por várias vezes, deu destaque aos inventos do padre gaúcho. O governo norteamericano
concedeu-lhe as seguintes patentes: número 771917, de 11 de outubro de 1904
(Tranmissor de ondas), número 775337, de 22 de novembro de 1904 (Telefone sem fio) e número
775846, da mesma data (Telégrafo sem fio).
Em 1901, recomendou a utilização de ondas curtas para aumentar o alcance das
transmissões. Marconi considerou que isso era algo inútil, mas em 1924 admitiu que estava
equivocado. Criou também as válvulas de três pólos (tríodo), patenteadas em 1906 por Lee De
Forest e que seriam fundamentais para o desenvolvimento futuro do rádio e da televisão. O padre
gaúcho retornou ao Rio de Janeiro e pediu ajuda ao presidente Rodrigues Alves para dar
continuidade ao seu trabalho. Após a negativa do governo brasileiro, muito desiludido, destruiu
seus aparelhos e voltou a se dedicar ao sacerdócio.
O seu caráter investigativo levou-o a pesquisar e a descobrir, em 1907, que todos os
corpos animados ou inanimados são envoltos por halos de energia luminosa, invisíveis a olho nu.
Ele chegou a fotografar tal efeito que seria denominado de Efeito Kirlian em 1937.
Em 1924, numa entrevista concedida ao Jornal Última Hora, de Porto Alegre, declarou:
Estou feliz. Sempre vi nas minhas descobertas uma dádiva de Deus. Seus inventos, depois, como
ele vislumbrara, serviriam até para comunicações interplanetárias. Morreu, desiludido com a
incompreensão do governo brasileiro e com os cientistas de seu tempo, aos 67 anos de idade, no
dia 30 de julho de 1928, num modesto quarto da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre,
cercado apenas por seus parentes e alguns amigos fiéis e devotados.
Diamantino Fernandes Trindade
Professor de História da Ciência e Divulgação Científica do CEFET-SP
Professor de História da Ciência do ISE Oswaldo Cruz
Master of Science in Education Science – City University Los Angeles
Doutorando em Educação – PUC-SP
Laís dos Santos Pinto Trindade
Mestre em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo
Professora de Metodologia da Ciência das Faculdades Integradas de Boituva
http://www.oswaldocruz.br/download/artigos/social4.pdf

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